quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Os delírios de consumo de Becky Bloom (Sophie Kinsella)


Sinopse: Rebecca Bloom é uma jovem londrina com o péssimo hábito do consumismo compulsivo. Apesar de ser uma jornalista especializada em mercado financeiro, não consegue controlar as finanças pessoais. Endividada até a alma, vive fugindo do seu gerente de banco e procurando fórmulas mirabolantes para pagar a fatura do cartão de crédito. E ainda encontra tempo para se apaixonar. Um romance muito divertido que faz um retrato de muitas mulheres das grandes cidades.

Resenha: Rebecca Bloom é uma jornalista especializada em finanças, quer dizer, é uma jornalista perdida em uma revista de finanças, porque quando se trata de economizar e fazer o melhor negocia Becky entende é nada do assunto. Apesar disso finge bem usando o releases para as matérias pelas quais fica responsável.
Becky tem 25 anos e uma cabeça de uma adolescente de 15 com um cartão de crédito na mão. Sabe quando estamos nessa idade e sonhamos ter nosso cartão cada vez que entramos em uma loja de roupas, bolsas, calçados e tantas outras consideradas o paraíso das mulheres? Pois é. A diferença é que Becky não percebeu que não basta ter um cartão VISA, ela precisa de dinheiro para pagar todos esses gastos mais tarde.
O livro já começa com cartas do banco atrás do pagamento das dívidas e no decorrer várias outras chegam pedindo para que ela retorne com uma resposta para negociações, no entando tudo o que Becky faz é “matar” o cachorro, “adoecer” uma tia, “quebrar” a própria perna e pegar doenças muito sérias para evitar o banco. Ela é muito mais imatura do que caloteira. Não é que não queira pagar, na verdade ela até tenta pensar em uma solução para conseguir dinheiro, mas cada vez que surge a simples possibilidade de conseguir algum as contas “desaparecem” da sua cabeça e ela já começa a pensar no que poderá gastar esse dinheiro das economias ainda nem feitas.
Ela tem sério problemas quando o assunto é compras, mas nem de longe o livro é alguma lição de moral ou algo para conscientizar o leitor a comprar menos, de jeito nenhum. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é um livro divertidíssimo, e as saias justas dela com Luke Brandon não ficam pra trás.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Porque sim!


É Natal e isso não é bom.
No Natal é sempre a mesma coisa, mamãe corre de uma lado para o outro enquanto papai fala por horas que ela é desesperada e por ele ficaríamos em casa e não iríamos na casa da vovó porque ela é uma velha resmungona. Papai também não gosta da tia Verônica porque ela sempre passa a noite de Natal chorando por causa de algum namorado. Mas mamãe não liga para isso porque é Natal e Natal é dia de ficar com a família. "Nós somos sua família." grita papai, mas mamãe não liga.
Como em todas as festas de família, sou obrigada a colocar um vestido todo apertado e nada confortável. Depois, quando quero brincar, todos ficam berrando "Se comporte como uma mocinha, menina", "Olha os modos", "Não seja um moleque". Eu bem queria uma calça, mas calça de moletom, esses jeans não me deixam brincar direito.
Enquanto papai sai batendo a porta minha irmã grita no corredor "Mãe, eu não tenho nada pra vestir, não vou mais". Mamãe grita dizendo que vai mesmo deixá-la se não ficar pronta para a ceia. "Mamãe, por que no Natal falamos ceia e não jantar?" pergunto muito curiosa ao que ela apenas responde "Porque sim, meu amor". Porque sim.
Estou procurando uma tesoura no quarto dos meus pais quando papai entra e pergunta o que estou fazendo lá e por que não estou me arrumando "Já to pronta. Papai, por que no Natal falamos ceia e não jantar?" pergunto para não contar o que estou fazendo. "É tudo a mesma coisa, querida." ele responde procurando uma roupa. "Então porque falamos ceia só no Natal?" insisto, "Porque sim, querida." Porque sim.
É Natal e o laço do vestido me aperta, não consigo encontrar a tesoura para cortar isso aqui.
"Sai da frente, pirralha." minha irmã me empurra para fora do seu quarto e bate a porta.
"Não fale assim com sua irmã, mocinha." grita mamãe de algum lugar da casa. "Ahhh" grita minha irmã do quarto.
O telefone toca e eu atendo. É vovó perguntando a que hora vamos chegar porque ela está com muita fome e não é obrigada a esperar a vontade dos meus pais. Ela nem espera um adulto atender, apenas fala tudo isso, diz que me ama e que papai noel levou um lindo presente para mim em sua casa, depois desliga. Eu sei que papai noel não existe, estou surpresa por vovó ainda acreditar nele.
Quando finalmente chegamos à casa de vovó é aquela bagunça de sempre, pessoas apertam minhas bochechas como se eu fosse um bicho de pelúcia, minhas tias me dão beijos babados na bochecha enquanto falam "Nossa, como você cresceu, Alice. Está uma moça." e perguntam para minha irmã sobre os namoradinhos.
É Natal e esse vestido vermelho não me deixa respirar, mamãe disse que é só manha, mas não é. Ela diz isso porque não está dentro dessa coisa apertada.
"Vovó, por que a cor do Natal é o vermelho?"
"Por causa do Papai Noel, minha flor!"
"E por que o Papai Noel usa vermelho?" não quero desacreditar a vovó, foi muito triste quando eu descobri que o Papai Noel era, na verdade, meu papai.
"Porque sim, minha flor!". Porque sim.
Mamãe avisa que irá servir a ceia, mas não sei como posso comer com esse vestido. Vou até o quarto da vovó e procuro sua caixa de costura. Finalmente encontro uma tesoura e posso cortar esse laço apertado.
É Natal então, quando volto para a sala, sei que é normal ouvir o grito de mamãe e o riso de papai. "Alice, o que fez com seu vestido?"
"Cortei, mamãe."
"Por que, Alice?"
"Porque sim, mamãe, porque sim!"

Jéssica de Paula

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Desaparecidos - Quando Cai o Raio - Meg Cabot

Sinopse: Quando cai o raio isso só pode signficar problemas - como Jessica Mastriani descobre ao ser pega de surpresa com sua melhor amiga Ruth em uma tempestade. Não que Jess tentasse evitar confusões, pelo contrário. Afinal, ela sempre acaba envolvida com o time de futebol e presa na detenção por meses sem fim... Pelo menos isso tinha seus pontos positivos, como se sentar perto de Rob, o motoqueiro mais gato da escola!
Mas dessa vez o problema é sério... Porque, de alguma maneira, ao voltar para casa sob aquela tempestade, Jessica se vê com um talento inédito. Um incrível poder que pode ser usado para o bem... ou para o mal.


Resenha: Tudo começa quando Jessica vai parar na detenção, mais uma vez, após agredir um dos jogadores do time de futebol para defender a amiga Ruth. Nada fora do normal para Jess que simplesmente não consegue ficar longe de uma briga e, consequentemente, da detenção na qual comparece todos os dias. Até que sua amiga Ruth decide que é melhor irem para casa a pé para perder uns quilinhos, nada de mal nisso se, justo naquele dia, não caísse uma tempestade e estaria ainda tudo ok se Jess não fosse atingida por um raio. Apesar desse "pequeno" susto a garota se sente normal e não vê porquê de ir ao hospital (Pra que né? Foi só um raiozinho de nada.). As coisas passam a ficar estranhas quando ela acorda e, do nada, sabe exatamente onde estão as crianças desaparecidas que vira na caixa de leite no dia anterior. Jess fez o que provavelmente qualquer pessoa faria, ligou para o número na caixa de leite e informou a polícia, é a coisa certa a se fazer, não é? Talvez. O problema é que Jess não esperava que dois agentes federais aparecessem no colégio atrás dela.
Ok, vamos ser sinceros, sou bem suspeita ao falar dos livros da Meg já que ela é minha diva do YA. Quando Cai o Raio tem a narrativa na mesma linha d'O Diário da Princesa, é engraçado, leve e flui bem naturalmente.
Dá licença? A protagonista se chama Jessica, ponto para ele.
A trama é ótima e bem bolada, mas o que mais me encantou foram os personagens. A Jess é toda protetora com as pessoas que ama, apesar de jurar de pés juntos que a culpa de toda essa confusão é da melhor amiga Ruth a defende de qualquer maneira, só que recorre a um método um tanto quanto violente, tipo esmurrando quem provoca seus irmãos ou sua amiga. Ruth também é bem legal, é como aquela amiga complexada do colégio. . Não dá pra falar de um por um, mas adorei demais eles.
Desaparecidos é uma série com cinco livros "Quando cai o raio" "Codinome Cassandra" "Safe House" "Sanctuary" "Missing You".
"Mandaram que eu escrevesse um relato, em primeira pessoa, sobre o que aconteceu comigo, falando toda a verdade e nada mais do que a verdade. Então tá. O que aconteceu comigo: fui atingida por um raio. Tudo culpa da Ruth, que resolveu que queria voltar da escola andando, para queimar uns quilinhos… Acabou que eu é quem fui queimada."

domingo, 7 de dezembro de 2014

Resenha: O céu está em todo lugar (Jandy Nelson)



Sinopse:  Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...

Resenha: O livro é contado em primeira pessoa através de Lennie, uma personagem simples e ao mesmo tempo complicada. Ela sempre fora acostumada a ser a irmã tímida, contida, sempre à sombra da talentosa Bailey, uma garota de dezenove anos, cheia de vida, planos e sonhos. O mundo de Lennie vira de cabeça para baixo quando sua irmã morre. Agora junto da avó e tio Big ela tenta superar a ausência da irmã, mas sua repentina atração sexual por Toby, namorado de Bailey, não ajuda e as coisas só ficam piores quando conhece Joe Fontaine por quem se apaixona perdidamente, porém esse amor não a mantém longe de Toby.

“Apesar da tristeza, meus olhos deslizam das botas pretas para as pernas cobertas pela calça jeans, o interminável torso e, finalmente, param em um rosto tão animado que sinto ter interrompido uma conversa entre ele e a partitura”

Confesso que de início estranhei um pouco a escrita, mas logo meus olhos passaram a deslizar tranquilamente nas palavras. Me senti dentro da mente confusa de Lennie mesmo que muitas vezes não entendesse suas atitudes e pensamentos. A verdade é que se esses pensamentos fossem simples e compreensíveis não seria real o bastante, afinal ela é uma adolescente de dezessete anos que acaba de perder a irmã apenas dois anos mais velha.
Após a morte de Bailey, Lennie também passa a questionar muito sobre a mãe que as deixou há dezesseis anos com a avó e nunca voltou ou deu um telefonema para saber das filhas. Até aquele momento se contentara com a história de que as mulheres da família eram aventureiras que não conseguiam se manter um lugar só, mas isso passa a não bastar para explicar o sumiço.