domingo, 27 de abril de 2014

A gente se ama


Você não entende nada. Eu não percebo nada. Somos tão errados. Você vira as costas, vai em direção à sala e me deixa falando sozinha no quarto. Não, não estou gritando. Não tem o direito de fugir. Você está correndo por que? Não seja estúpido, por favor. Eu bufo, esperneio,  choro enquanto você só me encara. Diz que sou só uma criança birrenta. Ótimo, saia pela porta e fuja de mim de vez, sei que é o que quer.
Eu não entendo nada, você não percebe?
É confuso e estou cansada demais para tentar compreender. Como isso aqui começou?
Você se larga no sofá. E quanto a mim? Saio pela porta enquanto te ouço me chamar de volta. Aperto o botão do elevador que demora séculos para subir.
Para onde vou? Indiferente. Para longe é o suficiente. Longe de você.
Não devia ficar na porta com essa cara tristonha que sempre despedaça meu coração e me faz entender ainda menos. Nem sei, foi minha culpa ou sua? Eu estar em frente ao elevador é sua culpa, você estar a ponto de chorar é minha.
Entro no elevador, o espelho me lembra de que estou com o sua blusa de moletom tão quentinha que te roubo em todo inverno. Estou descabelada, estava deitada na cama vendo um filme. Começou durante o filme. Quem briga em meio a um filme? Somos tão babacas.
Quarto andar. Aperto o nono para voltar, mas o elevador desce até o térreo para só então subir novamente.
A porta se abre no nosso andar e você ainda está na porta. Corro e te abraço, sinto seu cheiro tão perfeito que já está quase sumindo da blusa que uso. O vizinho passa e nos cumprimenta. Melhor entrarmos, não interessa aos vizinhos nossos dramas.
É quase meia noite. Não conversamos, só nos deitamos enquanto o sono vem.
“Eu te amo” te ouço dizer quando já estou de olhos fechados.
“Eu também te amo” respondo sonolenta.

A gente se ama, a gente sabe. Apesar dos pesares, a gente se ama.

Jéssica de Paula

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma carta inacabada

Tem coisas que são só pra você. As cartas escritas no momento de saudade, nas noites de carência e sábados de solidão. O bolo de caneca de domingo. Os pensamentos antes de dormir depois de um dia cheio de tantas coisas e vazio de você. Tem momentos que só me lembram você. Ao ver a seção de poesias e teatro em um sebo. Ao ouvir aquelas músicas que tanto gosta. Ao passar por aquela praça na qual passamos várias tardes. Tem sensações que só tenho com você. O frio na barriga quando está por chegar. A saudade que parece infinita após dias sem sua presença. Tem músicas que só me lembram você...

... tem esse meu amor que é dedicado somente à você.
Jéssica de Paula




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Festival de Teatro de Curitiba 2014


Há dias que não posto nada aqui no blog. Primeiro é porque sou lerda tanto para escrever quanto para me colocar diante do computador e passar todos os rascunhos para a o blog. Segundo porque justo essa semana tudo decidiu acontecer ao mesmo tempo, nem pude fazer tudo o que planejei o que me deixou extremamente chateada. Mas vamos ao que interessa: o Festival de Teatro de Curitiba 2014.
Esse festival acontece anualmente aqui na cidade e teve sua estreia em 1992 - nem eu sabia que era tão antigo - e consta com diversas peças para diversos gostos e bolsos, algumas peças são apresentadas nas praças da cidade e são gratuitas.
Separei algumas peças que pretendo assistir, duas já foram, uma, infelizmente, não pude assistir. Ainda restam 3 ou mais se surgir a oportunidade.

Jeane Monroe: Deixe-me ser a sua estrela.
Gênero: Drama |  10 anos 
A sensualidade, a doçura e o brilho de uma estrela apesar das agressões e sombras do mundo real. Conheça a intimidade de Marilyn Monroe, sua trajetória para o sucesso e os mistérios por trás da carreira e do glamour de uma das mulheres mais brilhantes que os palcos já conheceram.


Satyricon Delírio
 Gênero: Comédia |  18 anos
Adaptação livre e burlesca do romance SATYRICON de Petrônio. As aventuras sexuais, mitológicas, astrológicas e culinárias de três malandros irresponsáveis para quem a vida é apenas o momento presente. Uma reverência ao deus Dionísio.


Sobre o Tropeço
Gênero: Experimental |  Livre
Ao tropeçar, um indivíduo entra em uma zona de caos, onde suas projeções sobre o futuro são quebradas. Jogado para o aqui e o agora, fica mais morto e mais vivo ao mesmo tempo. Depara-se, então, com uma constatação: o tropeço é uma experiência de quase-morte.


Os Gigantes da Montanha
Gênero: Fábula Trágica |  Livre
A fábula “Os Gigantes da Montanha” narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila mágica, povoada por fantasmas e governada pelo Mago Cotrone. Escrita por Luigi Pirandello, a peça é uma alegoria sobre o valor do teatro (e, por extensão, da poesia e da arte) e sua capacidade de comunicação com o mundo moderno, cada vez mais pragmático e empenhado nos afazeres materiais. 


O Despertar da Primavera
 Gênero: Drama |  Livre
Num turvo ambiente de repressão, a história dos jovens Melchior Gabor e Wendla Bergman. Gabor é um jovem brilhante e rebelde que ousa questionar os dogmas vigentes. Wendla é integrante de uma família de classe média alta, educada por uma mãe com rígidos princípios morais e religiosos. O encontro dos dois provoca o desejo de conhecer o sexo e o amor.

Quem passar por Curitiba vale a pena conferir, mesmo fora do festival sempre há outras peças pelos teatros aqui da cidade que vale a pena dar uma olhada.

Segui

Segui por dias
Sem rumo e sem destino
Sem certeza alguma
Segui por noites
Obscuras, sem sequer a luz da lua
Entre florestas
Fechadas de tantas árvores
Segui caminhos desconhecidos
Sem saber aonde ir
Por dias que se tornaram semanas,
meses e anos
Tanto visto
Nada alcançado
Segui
Singo ainda por essa estrada
Pela qual passei tantas vezes
E ainda me é estranha
Sigo sem cansar
Não há destino
E nem o quero
Por tantas vezes ouvi dizer:
"o que vale não é a chegada, mas sim a caminhada"
Então apenas
Sigo.

Jéssica de Paula