sábado, 22 de março de 2014

Um dia perfeito.


Em plena segunda-feira o despertador não tocou, devo ter esquecido de religar o alarme depois do feriado da semana passada. Descubro meu chinelo todo babado na cama do Max. "Cachorro mau", repreendo deixando-o com aquele olhar que me faz sentir culpada. Tenho que tomar um banho rápido na água fria, pois o chuveiro queimou noite passada. Café da manhã? Nem pensar, compro algo no caminho.
O carro está na oficina há uma semana, tudo bem, vou de ônibus.
Paro na panificadora da esquina e compro um café bem forte para espantar o sono. Corro para pegar o ônibus que já está no ponto. Ao entrar alguém esbarra em meu braço derrubando o café na minha camisa branca. AAAAAH, quente, quente, quente. Filho da puta, nem pra se desculpar.
Bato o ponto e corro para o banheiro, não há muito o que fazer com a mancha.
Reclamações e mais reclamações. Uma pilha de papéis. Finalmente um intervalo. Almoço e, no caminho para o estágio, ligo para ele chorando minhas pitangas deste dia todo falhado. Volta quando mesmo? Três dias?
Crianças, brigas, choro e gritos. É um tal de "tia" aqui, ali e acolá. Calma criançada. Santa paciência.
Hora da aula. Sai de mim, sono. Sobre o que a professora está falando mesmo? Trabalho, tenho um trabalho para entregar em uma semana. E a prova? Quando é? Anotei em algum lugar por aqui.
Finalmente posso voltar para a casa. Pena que o céu decide desabar na hora em que desço no ponto há uma quadra do apartamento. Não levei sombrinha, chego encharcada. Não encontro a chave, mas a porta se abre e vejo-o bem na minha frente.
"Pensei que voltaria em três dias." digo sem reação.
"Não aguentei de saudade" ele diz e me prende num abraço aconchegante beijando-me em seguida.
Um dia perfeito.

Jéssica de Paula

sábado, 15 de março de 2014

Quando eu me for!


Em uma ou duas semanas, talvez um mês, você sentirá minha ausência de forma que nunca sentiu minha presença em anos. Uma noite você deitará na cama fria e vazia em quem somente minha ausência estará presente a te esperar. Ela te abraçará forte e docemente até que, lá pelas duas da madrugada, consiga dormir. De manhã estará atrasado mais uma vez pois raramente consegue ouvir o despertador e a casa estará em completo silêncio. Notará que a ordem das suas roupas já não é a mesma, não terá a enorme pilha de camisetas pretas e brancas separada da pequena pilha das coloridas. Minha coleção de xícaras de diferentes formas e tamanhos permanecerá intacta, você sempre usou apenas duas, aquela que sua mãe lhe deu e uma com nossa foto que eu mesma lhe dei no nosso aniversário de "namoridos". O tapete estará no lugas, pois não terá mais meus dois pés esquerdos para tropeçar todo santo dia naquela mesma ponta. Falando nisso, a casa ficará mais silenciosa e calma, portanto poderá estranhar não ouvir mais meus gritos estridentes e constantes que surgiam junto com aqueles malditos ratos ou baratas, quando assistia a algum filme de terror, quando o cachorro do vizinho fazia cocô na frente do nosso portão e todos os dias ao tropeçar no tapete da sala indo, muitas vezes, de encontro ao chão. Um dia você também irá sofrer um pequeno acidente como os que eu costumo sofrer com frequência graças ao meu destrambelhamento e notará que não abasteceu a caixinha de remédios que costumava estar sempre cheia por minha causa.

Sentirá minha ausência em cada cômodo desta casa, sentirá minha ausência no guarda roupa grande demais só pra você, minha ausência te acompanhará você querendo ou não. E quando encontrar alguém para colocar em meu lugar a ausência estará nela, a ausência do cheiro, do toque, do riso, do olhar reprovador que pensava odiar.
Minha ausência permanecerá presente em você.

Jéssica de Paula

domingo, 9 de março de 2014

Um dia não é o bastante.


Pontinhos. Vários deles, alguns têm formas engraçadas, que me lembram outras coisas. Vejo-os aqui tão de pertinho e desejo observá-los a noite toda. Mas não posso. Logo você irá partir de novo e de novo. Sempre indo. Voltando.
Um dia não é o bastante. Eu poderia passar horas aqui, deitada ao seu lado, olhando todos esses seus pontinhos na sua pele tão branca. Mas não podemos. Algumas horas não são o bastante.
Um dia não é o bastante.
Aguardo tanto a cada dia pelo nosso próximo dia.
Olha, será que alguns deles não poderiam formar algo como uma constelação? Seria legal. Interessante. Tem tantos aqui no seu ombro e no seu rosto também. Nunca te perguntei o que acha disso. Nunca falei que eu gosto desses seus pontinhos. Aliás, não há nada em você que eu não goste.
Está ficando tarde. Você bem que poderia adormecer e esquecer que existe o tempo. Eu bem que poderia fingir que não sei que é hora de te deixar ir. Eu sei. Mas poderia fingir só por hoje.
Gosto dos seus pontinhos, dos seus olhos verdes, do seu ar pensativo, do seu cheiro.
Gosto de simplesmente estar ao seu lado.
Um dia não é o bastante.

Jéssica de Paula

sábado, 8 de março de 2014

Não quero flor, quero respeito!


Acho que as pessoas confundem muito a luta de nós, mulheres, pelos nossos direitos. Não é uma luta pelo direito de trabalhar fora, ou pra sair com roupa curta, ou por sexo casual. Acredito que a verdadeira luta é pelo nosso direito de escolher se queremos ser donas de casa ou profissionais lá fora, ou então os dois. É a luta pelo direito de cada uma de decidir se quer casar virgem ou transar com quem (e quantos) quiser. É a luta pelo direito de cada uma de decidir SE quer casar ou SE quer ter filhos. Acredite, assim como nem todo homem quer casar e ter filhos, também há mulheres que preferem assim. A luta é pelo respeito, saber que podemos sair na rua a qualquer hora com a roupa que nos dá vontade sem sermos abusadas e violentadas por isso e ainda levar a culpa. Afinal, é MEU corpo, me visto como bem entender. Calça, short, gola alta ou decote, eu quero ter o direito de escolher um ou outro, gostar ou não e isso não é um convite.
Nós, mulheres, queremos ter a vida que queremos e não como diz a "tradição" e, principalmente, queremos respeito independente das nossas escolhas.

Jéssica de Paula

sexta-feira, 7 de março de 2014

Aquela Noite


A chuva caía incessantemente sobre nossas cabeças. Eu permanecia parada esperando alguma atitude sua. Esperando que me envolvesse em seus braços e dissesse que nunca mais me deixaria partir. Ou que simplesmente virasse as costas dizendo em silêncio que aquele era nosso fim. O fim de algo que nunca começou realmente. Mas você, assim como eu, permanecia calado como se esperasse que a solução despencasse do céu junto à chuva.
"E então?" Te indaguei.
Não tinha como negar a verdade. Eu conhecia-o, não podia mentir. Não pra mim.
"Vai acabar ficando doente. Vamos voltar e conversar em casa." Você pediu como se fosse nossa casa.
Então eu fiz o que você nunca teve coragem. Virei as costas e não olhei para trás.
Desde aquela noite nunca mais te vi e, acredite, estou melhor assim.

Jéssica de Paula

quarta-feira, 5 de março de 2014

Dizem


Dizem que você me ama. Se estiverem certos, finge muito bem, pois não vejo esse seu amor.
Dizem que se faz de frio, de pegador, que demonstra não se importar porque garotos são assim, têm um medo intenso de amar. Não foram criados para se apaixonar, escrever cartas de amor, se jogar de cabeça nos próprios sentimentos. Não sei se posso acreditar. Existem tantos poetas neste mundo.
Dizem que você pode ter medo do que sente. Tudo bem, eu também tenho e ainda assim estou aqui para assumir meus sentimentos.
Não entendo tudo isso que dizem.
Dizem tanto sobre você. Mas são dizeres que não passam de meras teorias. Meras quimeras.
Não importa o que dizem. O que me diz você?
Me ama ou não? Se sim, por que age como um completo idiota? Se não, por que permanece aqui e não me diz a verdade? Por que não me liberta dos meus sentimentos se os teus por mim nunca existiram?

Jéssica de Paula

sábado, 1 de março de 2014

Se apaixona por mim?

Se apaixona por mim?
Se apaixona
Ao me ver chegar
Quando eu sorrir por algo tolo que falar
Quando me pegar te observando em silêncio
Ao me ver em seus sonhos
Quando eu contrariar suas opiniões
Quando ler um poema meu feito pra você
Se apaixona mesmo quando não for um poema sobre você
Quando eu disser que te amo de surpresa
Quando eu te roubar um beijo
Se apaixona por mim?
Se apaixona nessas mesmas circunstâncias em que me apaixono por você todos os dias?

Jéssica de Paula