quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Seguir em frente

Não esqueci, apenas decidi que o melhor é seguir em frente. Parei de remoer o que passou e deixei as feridas cicatrizarem, pois é loucura me causar mais dor, seria ridículo demais baixar a cabeça. É, eu caí e levantei mais uma vez, como é que dizem? “Cair sete vezes e levantar oito”? A princípio parece difícil, às vezes até impossível, mas não é a primeira vez que caio e quebro a cara e com certeza não será a última. Mesmo que eu volte a cair é certo que tornarei a levantar. Porque de tudo o que sei uma coisa é certa: o melhor é seguir em frente.


Jessi de Paula

Lembranças e Aprendizados

Certas lembranças machucam, mas mesmo que pudesse eu jamais escolheria apagá-las da minha mente. Foram essas lembranças ruins que me acordaram pra realidade e me ensinaram a ver as pessoas como elas são, me ensinaram a não acreditar mais em certas palavras. Sim, meu coração foi quebrado e ainda dói, mas é assim que as coisas são, é assim que precisa ser porque do contrário eu não teria aprendido minha lição. Hoje eu sei que meu erro foi ter confiado, acreditado e amado demais, mas principalmente, meu maior erro, foi ter me entregado demais para alguém que pouco se importou e sequer deu o mínimo valor. Eu nunca vou esquecer e isso vai doer no começo, mas só no começo, não cometerei o mesmo erro e depois, com o tempo, a dor passa.


Jessi de Paula

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sinto falta



Sinto falta de sentir sua falta. A indiferença me deixa com um vazio estranho, sinto falta daquele velho sentimento de necessidade de você. Sinto falta de tudo o que já fomos, do amar por inteiro, do confiar de olhos fechados. Sinto falta do antigo nós, ainda não me acostumei com a metade que somos hoje, esse amor com limites nunca foi para mim, nunca foi para nós.

Texto por Jéssica de Paula

sábado, 16 de julho de 2011

Amy, aqui dorme uma princesa


A chuva batia forte nas janelas, o céu lhe parecia triste. Caminhou até a janela, não era muito tarde, mas nos últimos dias o sol já não aparecia como antes, talvez também estivesse se escondendo como ela fizera. Aliás, o tempo parecia muito com sua vida desde o fim da guerra: obscuro e depressivo. Costumava se perguntar se era real ou apenas o que ela via através de sua dor.

Stay low
Fique calma
Soft, dark and dreamless
Leve, escura e sem sonhos
Far beneath my nightmares and loneliness
Muito abaixo dos meus pesadelos

Gina caminhava pela casa entorpecida. A casa que há pouco tempo parecia pequena para tanta alegria, cinco anos de tantos risos, agora se tornara tão imensamente grande e solitária. Seus passos chegavam a ecoar. Não havia um único vestígio da bagunça que a fazia sentir-se viva como nada no mundo poderia fazer. Observou as fotos em cima da lareira, imagens que lhe traziam lágrimas aos olhos. Sentia-se culpada, infeliz.

I hate me
Eu me odeio
For breathing without you
Por respirar sem você
I don't want to feel anymore for you
Eu não quero sentir mais nada por você

Pegou com melancolia um dos retratos em que estavam juntos, os três, como uma família feliz de um conto de fadas. Ela tinha tanto do pai, cabelos loiros platinados, olhos cinzentos, a única coisa em comum com a mãe era o sorriso, pelo menos era o que Draco sempre dissera, tinha um sorriso que a desarmava quando estava prestes a lhe dar uma bronca ou a por de castigo por mais uma de suas muitas travessuras. Por várias noites tinha a impressão de poder ouvir seu riso pela casa.

Grieving for you
Sofrendo por você
I'm not grieving for you
Eu não estou sofrendo por você
Nothing real love can't undo
Nada que um amor real não possa desfazer

Não podia seguir daquele modo, ainda estava viva, pelo menos era o que Draco lhe dizia, porém não sentia-se viva por dentro. Se pudesse trocaria de lugar com sua pequena, sua boneca travessa, pois se agora ela não estava mais ali a culpa era sua, Amy era ainda tão indefesa, como mãe era seu dever protegê-la

And though I may have lost my way
E embora eu possa ter perdido o meu caminho
All paths lead straight to you
Todos os caminhos me levam a você

Ao subir as escadas encontrou uma boneca de pano, a que lhe dera quando Amy ainda era um bebê e desde então ela nunca mais a largara, vivia correndo pela casa com a boneca nos braços e nunca a perdera, e quando seu pai a escondeu para fazer uma travessura, pois era tão ou mais criança que a filha, Amy chorou desesperada dizendo que lhe tinham roubado e ficara muito brava com Draco pela brincadeira. Por que era tão difícil fazer com que seu coração parasse de doer de forma tão cruel? Ás vezes desejava que ele simplesmente parasse, pois só assim a dor também pararia.

I long to be like you
Eu queria ser como você
Lie cold in the ground like you
Deitar fria na terra como você

Queria ir para seu quarto e dormir, sentia-se exausta apesar de tudo o que fazia durante dias ser chorar. Ao parar em frente à porta mirou o fim do corredor uma porta toda branca com uma plaquinha com o nome “Amy” e abaixo a frase “aqui dorme uma princesa”, a sua princesinha que agora dormia um sono profundo do qual, Gina sabia, não iria mais acordar.

Halo
Glória
Blinding wall between us
Barreiras entre nós
Melt away and leave us alone again
Derretam e nos deixe sozinhos novamente

Não resistiu ao impulso e foi em direção ao quarto da filha, seu coração desejando desesperadamente que ao abrir aquela porta uma pequena loirinha se atirasse aos seus braços, como tinha o costume de fazer antes de dormir. Havia se passado duas semanas e o cheiro de flores ainda podia ser sentido por todo o lugar.

Humming, haunted somewhere out there
Sussurrando, assombrando em algum lugar lá fora
I believe our love can see us through in death
Eu acredito que nosso amor pode nos ver através da morte

Alguns brinquedos espalhados pelo chão, sinais de que nada foi mexido desde que ela se fora, sentou na cama ainda desarrumada desde quando a tirara de lá no meio da noite quando a guerra começara. Decidira junto a Draco que o melhor seria a esconder longe deles. Como pode deixar seu bebê longe de seu colo?

I long to be like you
Eu quero ser como você
Lie cold in the ground like you
Deitar fria na terra como você

Ouviu a porta abrindo e em seguida passos na escada
– Gina – Draco chegara do trabalho
Com o fim da guerra o mundo bruxo ficara em total desordem e Draco quase não parava em casa, trabalhava junto com o ministério e os aurores na reconstrução de tudo o que fora destruído. Gina achava incrível a mudança dele por sua causa, o amava antes e mais depois que se casaram, mas acreditara que a morte de Amy fora uma vingança pela traição do marido. Talvez se eles nunca tivessem se envolvido...

There’s room inside for two and I'm not grieving for you
Há espaço aí dentro para duas e eu não estou sofrendo por você
I'm coming for you
Eu estou indo por você

Draco entrou no quarto e, como nas últimas duas semanas, a encontrou chorando
– Isso não faz bem a você – falou com a voz baixa e perceptível dor mal escondida
Gina não respondeu, sabia que era injusta com o marido, afinal, ele também tinha perdido a filha e sabia o quanto ele a amava, porém por vezes tinha a impressão de que Draco não a entendia ou talvez estivesse tentando ser forte pelos dois

You're not alone
Você não está sozinha
No matter what they told you
Não importa o que eles disseram a você

– Por que você insiste nisso? Não pode continuar nessa depressão, não pode fugir do mundo como anda tentando – Gina o mirou com os olhos vermelhos e inchados
– Sente falta dela? – perguntou num sussurro
– É claro, mas eu não posso deixar isso acabar comigo, por você, pela família que eu constituí ao seu lado, eu a amo... Sempre vou amar, mas não adianta nos culparmos isso não vai trazê-la de volta, fizemos o que acreditamos que era melhor, não fomos os únicos que perdemos alguém nessa guerra
– Não posso esquecê-la
– Não estou pedindo que esqueça, apenas que siga em frente
Gina desviou o olhar como se não suportasse a idéia

You’re not alone
Você não está sozinha
I'll be right beside you forevermore
Eu estarei ao seu lado para todo o sempre

– Ok, nós vamos nos mudar então – Draco informou impaciente
Gina o encarou novamente, agora com espanto
– Não, eu não quero sair daqui
– Não estou perguntando. Você não tem a mínima condição de decidir por si. Enviarei uma coruja ao ministro explicando tudo. Vamos embora pela manhã. Antes de ajudar qualquer outra pessoa, preciso te salvar antes que acabe perdendo as duas mulheres da minha vida
Gina levantou da cama em um pulo, não podia suportar a hipótese de viver longe de onde vivera com Amy, de onde a vira crescer, não suportaria viver longe de tudo que lembrava a filha.

I long to be like you
Eu quero ser como você
Lie cold in the ground like you did
Deitar fria na terra como você fez
There’s room inside for two and I'm not grieving for you
Há espaço aí dentro para duas e eu não estou sofrendo por você

– Eu não vou ir embora – afirmou atordoada
– Sim você vai
– VOCÊ NÃO PODE ME OBRIGAR. EU NÃO VOU FICAR LONGE DELA, NÃO VOU
Draco segurou Gina pelos braços tentando a controlar
– JÁ CHEGA GINEVRA, EU ESTOU CANSADO DOS SEUS ATAQUES. ELA SE FOI ACEITE ISSO
– Não 
Mais uma vez as lágrimas caíam descontroladas. Por que ele não a entendia? Por que queria afastá-la das lembranças de sua pequena?
– Você não entende – falou entre soluços – ISSO É MINHA CULPA E SUA TAMBÉM. SUA CULPA PORQUE A MATARAM PRA PODER TE ATINGIR, FOI UMA VINGANÇA CONTRA VOCÊ. E MINHA CULPA – nesse ponto abaixou a voz quase a um sussurro – minha culpa por ter me envolvido com você
Atônito e perdido Draco a soltou, talvez ela o tocara na ferida que mais doía. Naquele momento Gina se via incapaz de pensar, abriu a porta do quarto e correu sem direção

And as we lay in silent bliss
E quando nos deitarmos numa felicidade silenciosa
I know you remember me
Eu sei você se lembrará de mim

As ruas estavam escuras e vazias, tudo o que podia ver eram destroços por todos os lados, já nem se lembrava de como estavam da última vez que saíra de casa. Não sabia para onde ir, tudo o que desejava profundamente era sumir, esquecer de tudo, do sofrimento, da dor. Depois de um tempo, que não soube medir quanto, recobrou a lucidez e logo reconheceu o local em que estava: o prédio trouxa onde escondera Amy e onde esta foi morta. Estava no terraço, sempre tivera medo de altura, mas, apesar de ser muito alto, não conseguia sentir medo. O vento era mais frio ali em cima, seus cabelos balançavam junto com ele lhe causando arrepios.

I long to be like you
Eu queria ser como você
Lie cold in the ground like you
Deitar fria na terra como você

Deu passos curtos e vagarosos em direção a beira do terraço. Parecia muito mais alto do que realmente era, mas ainda assim algo a chamava a ir em frente. Precisava encontrá-la novamente e se isso não fosse possível sem ela não poderia viver
– Amy – sussurrou
Fechou os olhos e quando arquejou delicadamente o corpo para frente sentiu mãos fortes a puxarem de volta.
Draco a abraçou com força, tanto ele quanto Gina choravam com angústia.
– Não faz isso, por favor, eu te amo. Vou estar sempre aqui e onde quer que esteja a Amy também. Vamos sempre amá-la, ela nunca vai ser esquecida
– Eu sei – Gina falou num resmungo recobrando a real consciência da realidade
– Nós precisamos ir em frente. Por ela... Por nós.
– Eu sei, eu sei... Me desculpe.
– Tudo bem. Vai ficar tudo bem agora.

There’s room inside for two and I'm not grieving for you
Há espaço aí dentro para duas e eu não estou de luto por você
I'm coming for you
Eu estou indo por você



Fic por Jéssica de Paula
inspirada na música Like You da banda Evanescence

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Todo Cambió

- EU O ODEIO – declarou Rose Weasley saindo da lareira repentinamente assustando Ron que lia o jornal no sofá
Ao ouvir a voz da filha Hermione apareceu na porta da cozinha e mirou a filha que chorava feito uma criança.
- Rose, o que aconteceu? – perguntou ela
- EU ODEIO SCORPIUS MALFOY – declarou Rose
- Essa é minha garota – falou Ron animado
- Ronald – repreendeu Hermione
- Não, o papai tinha razão. O Scorpius não vale a cerveja amanteigada que toma
- Rose, vocês brigaram mais uma vez? – perguntou Hermione desanimada
- Dessa vez é para sempre – falando isso Rose correu escada acima em direção a seu quarto
Mal a garota subira deixando os pais se olhando confusos, mais uma vez alguém surge da lareira, alguém um pouco atrapalhada, diga-se de passagem. Ao chegar à lareira do tio Lily se desequilibrou e caiu no chão, quase levando Hermione junto.
- Cadê a Rose? – perguntou enquanto se levantava
- No quarto, você pode… - falou Hermione sem ter tempo de terminar a frase, pois Lily já saíra apressadamente para o quarto da prima
- Mas o que…? – Ron falou olhando confuso para a mulher que entendia tanto quanto ele
- Ai – ouviram alguém exclamar da lareira – Porra, tio, você bem que podia aumentar isso – falou Alvo saindo da lareira com a mão na testa – ei, a Rose e minha irmã estão lá em cima?
- Estão, mas… - começou Hermione, sem ser ouvida de novo
O casal se encarou e decidiu subir atrás da filha e soa sobrinhos.
Todo cambió cuando te vi,
De blanco y negro al color me convertí
Y fue tan fácil quererte tanto,
Algo que no imaginaba,
Fue entregarte mi amor con una mirada,
Todo tembló dentro de mí,
El universo escribió que fueras para mí,

Ao chegarem viram os sobrinhos batendo na porta do quarto de Rose que se tracara lá.
- Alguém pode explicar o que está acontecendo? – perguntou Hermione
- A Rose me pediu para ir com ela até o serviço do Scorpius para fazer uma surpresa, porque ele teve que trabalhar hoje que é domingo, mas quando a gente chegou demos de cara com a Melody Wood saindo da sala dele.
- Que filho da…
- Rony
- Mione, você ouviu o que esse cara fez para nossa filhinha?
- Não é isso tio – defendeu Lily
- Eu estava lá com o Scorp, mas a Rose não me viu – falou Alvo – Não é nada disso que a Rose ta pensando
- Essa é velha, Alvo – disse Rony irritado – o que me admira é você defendo aquele filho de doninha
- Eu não to defendendo, só to sendo justo
- Mas então o que essa Melody estava fazendo na sala dele? – perguntou Hermione
- A Melody é… - Alvo começou a explicar, mas foi interrompido por um barulho vindo do andar debaixo
Y fue tan fácil quererte tanto,
Algo que no imaginaba,
Fue perderm
e en tu amor,
Simplemente paso,

Y todo tuyo ya soy.
No quarto Rose estava deitada na cama chorando enquanto lembrava-se da primeira vez que vira Scorpius, o primeiro beijo, o pedido de namoro, ela chegou até a esboçar um sorriso quando lembrou a primeira vez em que Scorpius fora a sua casa para ser "apresentado" aos seus pais, a verdade é que se arriscara ao não falar para Rony quem era seu namorado. E justo agora que seu pai se acostumara com a idéia Scorpius tinha que fazer aquilo, lutara tanto para ficar com ele e teria que dar o braço a torcer.
- Droga, Scorpius. – ela falou se levantando e começou a andar de um lado para outro no quarto – Eu fiz tudo por você. Eu enfrentei meus pais por sua causa, porque eu te amo e achei que você também me amava, mas, quando eu decido te fazer uma surpresa o que eu vejo? A oferecida da Melody que vivia dando em cima de você na época do colégio. E agora eu to aqui que nem uma idiota falando sozinha. – Rose terminou se jogando na cama novamente voltando a chorar abraçada com seu urso de pelúcia – Ei, foi o Scorpius que me deu isso – falou olhando mal humorada para o urso e o jogando na parede.
Antes que pase más tiempo contigo amor,
Tengo que decir que eres el amor de
mi vida,
Antes que te ame más,

Escucha por favor,
Déjame decir que todo te di...
Y no hay có
mo explicar pero menos dudar,
Simplemente así lo sentí,

Cuando te vi
Ao chegarem à sala Rony, Hermione, Lily e Alvo deram de cara com ninguém menos que Scorpius Malfoy saindo da lareira.
- Cadê a Rose? – perguntou se aproximando do grupo
- Lá em cima, no quarto – respondeu Lily
Scorpius já ia subir quando foi impedido por Rony
- Pode ir parando, filho de doninha
- Senhor Weasley, eu preciso falar com a Rose.
- Não acha que já machucou minha filha o bastante seu canalha
- Sr. Weasley, por favor, não é nada disso. A Rose entendeu tudo errado.
- Você-não-vai-subir. Entendeu?
Scorpius olhou para o mais velho desesperado, mas este pouco se importou. Sem achar alternativa Scorpius se desviou de Rony e correu escada acima sendo seguido por um ruivo totalmente vermelho de raiva.
Me sorprendió todo de ti
De blanco y negro al color me convertí,
Se que no es fácil decir te amo
Yo tampoco lo esperaba,
Pero así es el amor,

- ROSE – gritou Scorpius batendo na porta
- VAI EMBORA MALFOY, EU NUNCA MAIS QUERO VER SUA CARA
- OK, ENTÃO SAIA COM OS OLHOS FECHADOS
- RÁ, RÁ QUANTA GRAÇA. EU NÃO QUERO MAIS SABER DE VOCÊ, SEU LOIRO AGUADO
- ROSE, POR FAVOR
- Não ouviu o que ela falou? – falou Rony puxando Scorpius pela gola da camisa – Você sai por bem ou eu vou ter que te tirar por mal moleque?
Hermione e os sobrinhos chegaram logo depois assistindo a cena com os olhos arregalados.
- Sr. Weasley, em primeiro lugar eu não sou mais um moleque como o Sr. Já deve ter visto e, em segundo, eu amo sua filha e não vou sair daqui até ela me ouvir.
- Ok, já entendi – falou Rony soltando do loiro e se afastando – Vai ser por mal – disse virando e sem que ninguém esperasse deu um soco em Scorpius
Alvo tentou segurar o tio sem obter muito sucesso, Lily, a essas alturas, já conseguira apanhar a varinha no bolso de Rony.
- Alvo seu tapado o que você ta fazendo? – perguntou a ruiva
- Tentando impedir que ele bata no Scorpius, ora
- Acorda – falou Lily – VOCÊ É UM BRUXO OU NÃO É?
- Eu já ouvi isso – lembrou Hermione
- EU ACABO COM ESSE MALFOY, EU SEMPRE QUIS FAZER ISSO – gritou Rony avançando novamente para cima de Scorpius
Lily pegou sua própria varinha e a mirou em direção a Rony
- Petrificus Tota…
- CHEEEEGA – gritou Rose saindo do quarto
Todos pararam onde estavam e olharam para a garota
- Rose… - começou Scorpius se aproximando, mas novamente foi impedido por Rony
- Não chega perto
- Tudo bem, pai.
- Rose, você não vai ouvir o que esse…
- Ronald Weasley – disse Hermione – não se meta na relação dos dois.
Rony a olhou irritado, mas soltou de Scorpius
- Tudo bem, mas nós não vamos sair daqui.
- Na verdade – falou Scorpius ficando de frente para Rose – eu preciso que todos vocês estejam presentes
- Então – disse Rose evitando olhá-lo – explique-se Scorpius Malfoy.
Simplemente paso y todo tuyo ya soy
Antes que pase más tiempo contigo amor,
Tengo que decir que eres el amor de mi vida,
Antes que te ame más,

Escucha por favor
Déjame decir que todo te di...

Naquele momento Rose e Scorpius tinham se tornado o centro de todos na casa, como se fossem os protagonistas de um filme de suspense, todos os olhavam em silêncio.
- Rose, eu não vou dizer que você viu errado, que não era a Wood ou que ela estava lá por causa o Alvo. A verdade é que ela estava lá por minha causa, eu a chamei até minha sala e eu não estava trabalhando hoje, fui até lá só para me encontrar com ela…
- Seu cachorro, você ainda…
- Shhh – pediu Alvo para a prima – Você disse que ia só escutar, deixa o cara terminar
Rose olhou para Scorpius tentando impedir que as lágrimas voltassem a cair, não podia ser fraca na frente dele, seria ridícula.
- Ok
- Como eu disse, eu fui me encontrar com ela porque a Melody Wood é vendedora de jóias e atende a domicílio, só que eu ainda não me mudei para a casa que comprei e meus pais estavam em casa então eu não queria que meu pai soubesse o que eu ia fazer, mas também não podia correr o risco de te encontrar na joalheria me vendo… - ele colocou a mão no bolso e tirou uma caixinha de veludo, a abriu revelando um anel com uma esmeralda em forma de coração – Rosie… Não, espera – falou se ajoelhando enquanto Rose já nem ligava em chorar, afinal, chorar de emoção não era ridículo – Rosie, quando te conheci eu era só um moleque, como diz seu pai, arrogante, metido a besta e egocêntrico, essas últimas palavras são suas, eu achava que era melhor que qualquer um e ninguém nunca teve coragem de me dizer o contrário... A não ser o idiota do Alvo, mas eu nunca liguei pro que ele diz – todos riram da cara de indignado de Alvo – mas ai me aparece uma baixinha estressada me mostrando que eu não era nada...
- Eu... Eu não disse que você não era nada Scorpius – Rose falou revirando os olhos
- Mas eu não era, e descobri isso no instante que te olhei... Eu não era nada sem você Rose...
- Tem certeza que você é o meu Scorpius?
- Poxa, Rose, eu to tentando ser romântico aqui.
- Desculpe.
- Eu sabia que era loucura te querer, quase fui assassinado pelo seu pai, quase fui assassinado pelo meu próprio pai, mas eu faria tudo de novo pra te ter comigo. Se eu sou quem sou hoje é por sua causa. Eu te amo mais do que eu jamais pensei ser possível amar alguém, eu nem acreditava que seria capaz de amar de verdade, mas você surgiu e virou minha vida de cabeça pra baixo.
- Oh, me perdoe – Rose falou se fazendo de ofendida
- Ta perdoada com uma condição: Aceita se casar comigo, Rose Weasley?
- É claro, meu loirinho aguado.
Enquanto Scorpius colocava o anel no dedo de Rose todos começaram a bater palmas animados menos Rony que, mesmo tentando disfarçar, deu um risinho de lado.
O casal se abraçou finalmente se beijando
- Ei, deixem isso pro casório, por favor, ela ainda é minha filha – disse Rony fazendo todos rirem.
- Eu te amo, Malfoy
- Eu te amo, Weasley, ou melhor, Sra. Malfoy
Y no hay cómo explicar pero menos si tú no estás,
Simplemente así lo sentí,

Cuando te vi...
Todo cambió...
Cuando te vi...

Fic por Jéssica de Paula
inspirada na música Todo cambió da banda Camila 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O quê se vive

E no fim o que conta não é quantos anos você têm, mas sim o quanto você amou, o quanto chorou, o quanto sorriu, o porquê de cada lágrima e de cada sorriso, o que conta são as experiências, os erros, os acertos, o que aprendeu, os tombos e quantas vezes levantou, no fim o que conta não é o quanto você viveu e sim o quê viveu.

Texto por Jéssica de Paula

Além de Tudo

Eu quero ir além do céu, quero ultrapassar meus limites, quero me desafiar e realizar mais que meus sonhos, quero realizar todas as minhas vontades, eu tenho todas as vontades do mundo, eu desejo tudo que está ao meu alcance e tudo que não está também, eu quero ter a coragem acima dos meus medos, e quantos medos eu tenho. Eu quero ser um pouco de tudo e quero de tudo um pouco. E talvez você não entenda e se pergunte se sou louca, sim, eu sou completamente louca pela vida e tudo que ela tem a me oferecer, sou uma doida varrida tentando pegar cada pedacinho de felicidade que passe perto de mim.

Texto por Jéssica de Paula

A Fim de Mim

Hoje não acordei muito a fim de pessoas, não estou com paciência para palavras, estou sem vontade, completamente sem vontade de seguir as regras e nem um pouco disposta para quebrá-las, não quero esperar seja o que for. Hoje acordei meio assim, meio sei lá, acordei a fim de mim, querendo me curtir, ter uma conversa comigo, pode ser algo sério ou não, falar besteira e me mandar calar a boca, deixar um pouco o mundo lá fora e ficar sozinha comigo, tentar me aproximar mais de mim, me conhecer, saber o que está acontecendo e como eu me sinto sobre tudo a minha volta… É, hoje eu acordei meio assim, a fim de mim.

Texto por Jéssica de Paula

Vida = Circo

Têm aquelas pessoas que gostaríamos que estivessem ao nosso lado pra sempre, mas aí acontece alguma coisa que nos afasta, cada um segue seu rumo, nos tornamos apenas conhecidos, passamos na rua um dia qualquer e perguntamos sobre a família, quando antes sabíamos de cada detalhe da vida daquela pessoa, mas têm aquelas que tudo o que mais desejamos é nos ver longe, aí vem o destino mais uma vez, cada um segue seu rumo, mas justo essas pessoas cruzam seu caminho com muito mais frequência que aquelas que te foram queridas. Acho que a vida é um grande circo e acha graça em nos fazer de palhaços.

Texto por Jéssica de Paula

Imperfeita

Ela tem aquele olhar contido, parece vazio, mas eu a conheço, sei que se esconde por medo de confiar, talvez seja esse o motivo daquele olhar, o sorriso quase não vejo, sei que ela sorri muito, mas nesses momentos nunca paro pra reparar no sorriso que todos acham tão bonito, o vi poucas vezes e mesmo nestas não reparei muito na dita beleza do sorriso. Já nas gargalhadas é difícil não reparar, tão escandalosa, não sabe se conter em público, mas eu, particulamente, gosto das gargalhadas apesar de todos afirmarem ter vergonha de ter estranhos olhando para quem estiver com ela. E o choro, bom, ela chora tanto quanto ri, talvez mais, ela tem o costume de sempre chorar em meio a uma briga, não por tristeza, mas por raiva, ah sim, ela chora muito quando sente raiva. Suas roupas estão sempre de acordo com seu humor, ela não é do tipo que segue moda, na verdade mal entende do assunto, da última vez que a vi estava com a roupa que encontrara em cima da cadeira do quarto, os cabelos ao natural, com mais volume, sonolenta, a pele nada boa como sempre, raros são os dias que sua pele me agrada. Comecei a procurar por todos os seus defeitos, ela nem de longe tem a beleza que me agradaria de verdade, mas talvez ela nunca conseguiria me agradar independente de como fosse, eu continuaria procurando todos os seus defeitos e os aumentaria mil vezes. Olhei novamente para seus olhos, continuavam vazios, mas alguma coisa me agradou ali, as pessoas costumam dizer que ela tem rosto de garotinha, não de mulher como eu sempre quis, mas não é só seu rosto, seu olhar, seu choro, suas gargalhadas, eu não a conheço perfeitamente, mas com certeza ela nunca cresceu da forma como deveria, ela nunca teve coragem de se abandonar como criança, ela tem todos esses problemas em se deixar para trás, ela tem esses mil defeitos de infância e vem acumulando sempre mais, mas eu nunca paro pra reparar nas suas qualidades que chegam com o passar dos dias… Acho que sempre fui dura demais com ela, de repente, enquanto a olhava, percebi que alguma coisa realmente me agradava naquela garota, aquela garota imperfeita que me olhava através daquele espelho, alguma coisa realmente me agradava no meu reflexo, eu percebi que não importa quantas vezes eu reclamei de mim, quantas vezes eu fui estúpida, quantas espinhas me deixaram louca, quantas pessoas ruins eu confiara, nada de ruim importa, porque eu levantei de todas as quedas, eu chorei, mas nunca deixei de sorrir, eu me neguei, eu me aceitei, eu me odiei, mas eu me amei, eu quis me abandonar, mas vi que era impossível então decidi ser apenas eu, com todos os meus defeitos, mas também com todas as minhas qualidades, eu ainda tenho muitas coisas ruins pra passar, mas tenho fé que muitas coisas boas também virão e nesse momento tenho certeza que não gostaria de ver nenhum outro reflexo no espelho que não seja dessa garota que vejo agora, não quero ser ninguém além dela.

Texto de Jéssica de Paula

Doença

-Acho que preciso procurar um médico, não ando me sentindo bem.
-O que você tem?
-Não sei explicar direito, mas dói aqui no coração, é uma dor estranha, me dá uma vontade de chorar, meu estômago vive embrulhado, não consigo comer direito, não consigo dormir, às vezes choro a noite, não consigo me concentrar nas coisas a minha volta, tenho vontade de ficar o dia todo na cama, me sinto cansada.
-Desde quando sente isso?
-Desde que acabou.
-Tem razão, você está doente.
-Você sabe o que é?
-Coração partido.
-Tem cura?
-Não, mas com o tempo você acostuma com a dor.

Texto por Jéssica de Paula

O Conceito do Amor

Você passa a vida criando conceitos e mais conceitos sobre o que é amor, escuta músicas, assiste filmes que falam sobre o tal do amor, lê romances e mais romances e todas as poesias que contam como é amar, depois você tem certeza absoluta que sabe tudo sobre. Você tem certeza que é capaz de escrever um romance perfeito, você acredita estar preparado para o que vier, o expert, o entendedor, o sabe tudo, o “ninguém vai me fazer morrer de amores” e, do nada, surge uma pessoa que destrói todas as suas certezas. Depois dessa pessoa as músicas parecem diferentes, nenhum filme ou livro parece tão romance quanto o seu romance, você passa a morrer de amor todos os dias a cada hora do dia, você já não se preocupa se parece um idiota apaixonado e descobre que nenhuma palavra de nenhum poema é verdadeiro o suficiente, nada, nada que escreve parece o bastante, qualquer coisa que tenta escrever por mais lindo que esteja não chega perto do que quis dizer, está bem longe do que sente, você tenta de todas as formas expressar esse amor, mas vou te contar um segredo: é impossível. Hoje eu sei que o amor vai além de qualquer certeza, vai além de tudo que se acredita, vai além da razão, aliás, se há razão, não há amor, pois amor não é razão, ele te torna completamente estúpido, falando coisas que antes achava tão bobas, mas é isso que é o amor, o ridículo, mas quando se tem alguém para amar, quando se tem alguém que te ama, alguém que te faz sorrir pelo simples fato de te olhar nada disso importa, quando se ama o resto que se dane, tudo o que se quer é amar. Me perdoe se derrubei todas as suas crenças sobre o amor, mas te deixo agora ciente que amar é loucura, mas não se pode evitar, ele só acontece.

Texto por Jéssica de Paula

À Procura

Tentei evitá-lo ao máximo, vivia fugindo sem ao menos estar sendo perseguida, mas sabe como é, sempre tem aquela mania de perseguição e eu acreditava veemente que ele me queria a todo custo, até que um dia me bateu a curiosidade “como seria me render à ele?”, parei de correr, cansei de fugir e fui procurá-lo, mas… Ele não estava lá, e de caça me tornei caçadora, se antes me escondia agora já gritava “EI, EU ESTOU AQUI, PENSEI QUE ME QUERIA”. Não, não o encontrei mais, talvez ele nunca tivesse existido ou então não me desejava, não me perseguia como acreditara. Talvez ele não fosse para mim, é, isso, não havia mais do que correr e também não havia o que buscar. Esqueci o assunto, esqueci dele e passei a andar, não mais correr, não olhava para as pessoas a sua procura, eram só pessoas, ele não estava nelas, não estava em parte alguma. Me distraí e, de repente, dei de cara com ele, é claro que jamais o encontraria onde procurei, ele estava onde menos poderia esperar, e agora entendo porque não nos encontramos antes, simplesmente não era pra ser, estava marcado, nosso encontro não poderia ser em qualquer outro horário ou data que não fosse aquela, era pra ser naquele momento quando eu menos esparava encontrar, mas ele estava ali na minha frente dizendo “Lembra sobre tudo que ouviu e leu sobre mim? Pois é, eu te peguei, você não pode mais fugir, está destinada a mim”. É, depois de tantos desencontros ele finalmente me alcançou, o amor me pegou quando deixei de procurá-lo.

Texto por Jéssica de Paula

I Cant Say No To You

Hermione acordou atordoada procurando pelo relógio em cima do criado mudo, devia estar atrasada como sempre.

- Droga – exclamou ao ver que passara meia hora do seu horário, já não sabia mais que desculpa usar no trabalho, se não fosse tão eficiente no que fazia provavelmente já teria sido demitida.

Levantou procurando por suas roupas, a cabeça latejando por causa da bebedeira da noite anterior. Era tão patética, pensou consigo, por mais que o quisesse ainda precisava embebedar-se na esperança de sentir menos culpa, mas nada mudaria o fato de estar envolvida com um homem casado e justo aquele homem.

Enquanto se vestia repreendia a si mesma mentalmente, prometera que dessa vez seria diferente, prometera esquecê-lo, mas bastava que ele a olhasse para entregar-se sem pensar... Sem limites ou pudores.



Under your spell again
Sob seu feitiço de novo


I can't say no to you
Eu não consigo dizer não para você

Crave my heart and it's bleeding in your hand
Deseje meu coração e ele estará sangrando na sua mão

I can't say no to you
Eu não consigo dizer não para você



Entrou na sala onde encontrou Draco Malfoy fumando em frente à janela fechada. Lá fora caia uma leve chuva.

O apartamento onde estavam era um lugar simples e pequeno na Londres trouxa, comprado por Draco especialmente para aqueles encontros clandestinos.

- Estou atrasada mais uma vez – Hermione falou mantendo certa distância – Por que não me acordou Draco?

- Não tive coragem – o loiro respondeu sem olhá-la – Estava tão linda... Como um anjo.

- Anjos não são pecaminosos – ela sussurrou mais para si observando ele dar uma tragada no cigarro enquanto se virava.

- É o que pensa? Sobre nós?

- Não tem a ver com o que penso. É o que nós somos.

Draco se aproximou a mirando, mas Hermione desviou os olhos, sentia vergonha de si mesma, ele ergueu seu queixo delicadamente a encarando com seus olhos cinzentos.

- Pecaminosos? Por nos amarmos?

- Você não me ama Malfoy. Você provavelmente nem sabe o que é amor.

Ele aproximou seu rosto e roçou os lábios frios sobre os lábios quentes dela e, por mais que tentasse ser firme, Hermione sentia seu coração acelerar e sua respiração ficar descompassada, fechou os olhos implorando intimamente para que ele se afastasse permitindo que sua lucidez voltasse.

- E se for verdade? – sussurrou Draco – E se eu não te amar?

- Eu não me importo – Hermione respondeu sentindo uma lágrima cair.

Draco apagou o cigarro no cinzeiro ao lado do sofá e a enlaçou num beijo lento e tortuoso, Hermione sabia que aquilo podia não ser amor, mas o desejo de Draco por ela era quase palpável. De uma forma ou outra ele ansiava em tê-la.


Shouldn't have let you torture me so sweetly
Não devia ter deixado você me torturar tão docemente

Now I can't let go of this dream
Agora não consigo me livrar desse sonho

I can't breathe but I feel
Não consigo respirar, mas eu me sinto

Good enough
Boa o bastante

I feel good enough for you
Eu me sinto boa o bastante para você



- Draco, eu estou atrasada – Hermione falou arfante ao sentir suas costas prensadas na parede, mas sem fazer uma real tentativa de afastá-lo

As mãos de Draco percorriam as costas e coxas de Hermione por baixo do vestido procurando explorar cada mínima parte daquele corpo. Seus lábios passeavam entre o pescoço e o colo da mulher, com certeza deixaria marcas, mas nenhum dos dois estava pensando no depois, sequer pensavam, eram levados apenas pelo desejo.

Depois de tanto tentar manter a racionalidade Hermione desistira e também passeava com suas mãos e lábios por cada milímetro alcançável de Draco.

- Draco, não – Hermione pediu ao sentir a mão do loiro brincando com o elástico de sua calcinha.

- Eu preciso de você – Draco implorou em seu ouvido derrotando-a por fim.



Drink up sweet decadence
Beba a doce decadência

I can't say no to you
Eu não consigo dizer não para você

And I've completely lost myself and I don't mind
E eu me perdi completamente e eu não me importo

I can't say no to you
Eu não consigo dizer não para você



Já no escritório Hermione suspirava irritada, não conseguia se concentrar em nada além da culpa e raiva dela mesma, não de Draco, por mais que tentasse odiá-lo parecia impossível, era como se ele estivesse impregnado em sua pele, o cheiro dele ainda intoxicava suas roupas.

Acabou deixando todos os papéis de lado por um instante e resolveu dar uma volta pra refrescar a cabeça, mas o destino parecia simplesmente não estar querendo ajudá-la, ao virar em um corredor, perto da seção dos aurores, ouviu a voz de Ron e Harry e, por sorte, encontrou outro caminho a tempo.

Desde o fim do noivado com Ronald, ela tentava evitá-lo ao máximo, tinha a sensação de que ele desconfiava do motivo que causou o término. Era com ele que devia estar agora, casada, quem sabe até com filhos.

- O que eu fiz da minha vida? – Hermione falou para si mesma pouco antes do elevador chegar.

Quando o elevador se abriu sentiu seu coração acelerado novamente com a visão a sua frente.

- Bom dia, Srta. Granger – cumprimentou Astoria Malfoy descendo do elevador ao lado do marido.

- Bom dia Sra. Malfoy – cumprimentou Hermione depois de se recuperar – Sr. Malfoy, vejo que voltou da viajem de negócios.

- Imprevistos – Draco respondeu naturalmente.

- Imprevistos? – Hermione perguntou involuntariamente.

- Sim – respondeu Astoria alegremente – Eu não andava me sentindo bem nessas últimas semanas então decidi ir a um curandeiro e, bem, felizmente não era doença, eu...

- Astoria – repreendeu Draco – Não precisa contar sobre nossa vida para todos que encontrar.

- Mas de qualquer forma todos irão saber, não é meu amor?!

- Saber o que? – Hermione perguntou confusa.

- Sobre a minha gravidez – a loira respondeu com um grande sorriso.



Shouldn't have let you conquer me completely
Não devia ter deixado você me conquistar completamente

Now I can't let go of this dream
Agora não consigo me livrar desse sonho

Can't believe that I feel
Não acredito que eu me sinto

Good enough
Boa o bastante

I feel good enough
Eu me sinto boa o bastante

It's been such a long time coming, but I feel good
Há muito tempo esperava por isso, mas eu me sinto bem



Aquela frase parecia rodar na cabeça de Hermione. Como ele podia ter escondido algo assim dela. Por quê?

- Eu... Eu esqueci algo em minha sala e...

- Srta. Granger? A Srta. está bem? – perguntou Astoria ao ver o rosto pálido de Hermione.

- Sim... Eu só... – Hermione deu as costas para o casal e foi em direção a seu escritório.

Ao entrar fechou a porta com força encostou-se à mesma e escorregou até o chão permitindo que as lágrimas caíssem. Apoiou a cabeça nos joelhos como uma criança assustada, seu coração chegava a doer fisicamente.

- Por quê? Porque justo ele? Porque eu o amo? Você é um idiota Hermione Granger. Burra, burra – Hermione jogou a cabeça pra trás, seu rosto estava tomado pelas lágrimas. Ela se abraçou encravando as unhas nos próprios braços sem perceber – eu te odeio Draco Malfoy, EU TE ODEIO - Poderia gritar o quanto quisesse que ninguém ouviria, mas isso pouco importava, precisava tirar aquela dor do peito, precisava odiá-lo.



And I'm still waiting for the rain to fall
E eu ainda estou esperando a chuva cair

Pour real life down on me
E derramar a vida real sobre mim

Cause I can't hold on to anything that's good
Porque eu não consigo me apegar a algo tão bom



O dia passara vagarosamente para Hermione e a noite parecia seguir o mesmo rumo, pois, apesar do relógio marcar quase uma da madrugada, ela ainda estava acordada andando pela casa que parecia grande e assustadora em meio a escuridão.

O tempo piorara desde a tarde, trovões ecoavam e raios iluminavam a casa de tempos em tempos dando ao lugar um aspecto quase assombrado, mas nada disso a assustava. Hermione estava na cozinha bebendo um chá, já que não conseguia dormir, e não notou quando alguém entrou sorrateiramente.

Ele se aproximou de seu pescoço beijando delicadamente.

- Me desculpe – Draco pediu sentando-se na cadeira ao lado e pegando a mão de Hermione que não reagiu.

-Não devia vir sem me avisar. – ela falou sem olhá-lo.

- Me desculpe por isso também – ele pediu sorrindo e lhe dando um selinho.

- Acabou Malfoy.

- Você está fria, devia estar em baixo das cobertas sabia?

- Malfoy, eu não vou pra cama com você se é...

- Shhh – Draco falou encostando sua testa na dela – eu não vim aqui pra isso, meu amor.

- O que você quer a está hora? – ela perguntou suspirando – Não viria até aqui pra se desculpar.

- E porque não? Eu me importo com você. É por isso que te comprei um presentinho.

Hermione se levantou exaltada ficando de frente para o loiro.

- Você não pode me comprar. Eu já disse: Acabou.

- Eu não faria isso. Além do que é um presente para nós. Uma casa linda, grande, você vai adorar.

- Não existe mais nós Draco...

- Olha – Draco pegou uma caneta e um papel dentro da capa e começou a anotar algo – Vou deixar o endereço.

- Você ouviu o que eu acabei de falar?

- Esteja lá na sexta depois do trabalho...

- Draco, pára.

- Faço questão de mostrá-la pessoalmente.

- Eu não quero.

- Não diga bobagem. É claro que quer, é muito melhor do que esse lugar.

Quando Draco se levantou Hermione lhe deu as costas, sabia que se o olhasse muito tempo não demoraria muito para fraquejar mais uma vez.

- Depois do trabalho – ele a lembrou se aproximando – Eu sei que estará lá.

Draco beijou seu pescoço novamente e se retirou.

Hermione tentou segurar as lágrimas que teimavam em cair, por mais que se enganasse no fundo sabia que ele tinha razão. Ela precisava dele como precisava do ar.

Draco Malfoy tinha total controle sobre sua vida.



Am I good enough

Eu sou boa o bastante

For you to love me too?
Para você me amar também?

So take care what you ask of me
Então tome cuidado com o que você me pede

Cause I can't say no
Porque eu não consigo dizer não.

Fic por Jéssica de Paula
inspirada na música Good Enough da banda Evanescence 

Momentos como este

James Potter descia as escadas, aliviado por ter de parar o que estava fazendo para atender a porta. Nunca pensou que aquilo pudesse acontecer, mas, pela primeira vez na vida se sentia contente por ter que se afastar de Lily. Ele andava em direção a porta com a maior vagareza do mundo para evitar o momento em que precisaria voltar para o segundo andar. Ao abrir a porta viu Sirius Black, seu salvador, parado na varanda.

Sirius olhou assustado para o amigo que estava com a camisa molhada de suor.

- A Lily está acabando comigo.

- Hum, eu sempre soube que as quietinhas são as piores – Sirius falou com um sorriso malicioso já entrando e se jogando no sofá da sala.

- Não é isso seu pervertido – James falou sentando no outro sofá – Bom... Também, mas o problema agora não é esse. A Lily não consegue parar um minuto, ela está nervosa por ter que ficar trancada aqui então fica mudando os móveis de lugar o tempo todo.

- E? – perguntou Sirius.

- Como assim e? E que sou eu quem tem que empurrar tudo.

- E por que você não usou magia? – Sirius falou como se estivesse ensinando pra uma criança que dois mais dois são quatro.

- Nossa, porque será que eu não pensei nisso?! – James falou sarcástico – Ah, lembrei, porque Dumbledore pediu pra que não usássemos magia até que a casa estivesse totalmente protegida. Você acha que eu sou idiota?

- Isso foi uma pergunta retórica? – Sirius perguntou pensativo.

- Cala a boca.

Passos foram ouvidos na escada e James arregalou os olhos como se Voldemort fosse aparecer pela porta da sala a qualquer momento, mas, ao invés disso, quem surgiu foi uma bela ruiva de olhos verdes intensos. Sirius sorriu ao ver Lily.

- Olá Sirius que bom vê-lo.

- Também acho, por isso ando com um espelho na carteira.

Lily revirou os olhos e riu.

- Bom, mas já que está aqui poderia ajudar o Jay a trazer uma estante que está numa sala no andar de cima pra cá e levar esse sofá pra cima.

- Hum, claro – ele respondeu incerto.

Os dois amigos se levantaram e quando Lily se retirou James fingiu chorar.



Sabe velho

São momentos infelizes como este

Que precisamos ter amigos como estes

A dor, eu sei, é grande e o vazio é enorme

Mas faz parte dessa vida

Não tem nada a ver com sorte



James e Sirius tinham acabado de chegar ao segundo andar com o sofá de três lugares quando a campainha tocou novamente.

- Pode deixar – falou James – eu atendo enquanto você coloca o sofá na sala.

- Não – disse Sirius bloqueando o pequeno espaço que o sofá deixava para passar – é melhor você levar o sofá. A casa é sua, além do mais eu nem sei onde a Lily quer que eu coloque.

- Mas eu também não sei. Coloca em qualquer canto.

- Não James. Eu vou abrir a porta – Sirius falou autoritário.

- Ah não vai não.

Os dois se encararam por um tempo e quando a campainha tocou novamente James empurrou Sirius no sofá e correu, ou pelo menos tentou já que Sirius o agarrou pela camisa a tempo o derrubando no sofá. Quando tentou se levantar James jogou o amigo no chão, mas Sirius se recuperou com rapidez e pulou em James o jogando novamente no sofá.

- AAAAAA LILY – James começou a gritar, mas Sirius tapou seu rosto com uma almofada             .

- Agora você vai morrer amiguinho.

Sem que eles percebessem tinham feito o sofá ir para mais perto da escada e de repente ele começou a deslizar escada abaixo. Quando percebeu algo de errado Sirius tirou a almofada do rosto de James que também parou de gritar e se debater.

- Cara, o que tá acontecendo? – perguntou James.

- Nada não. É só o sofá que tá descendo a escada.

- Ah tá.

Quando associaram os acontecimentos Sirius e James arregalaram os olhos e se agarraram um ao outro gritando.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!!

O sofá pegou uma senhora velocidade ao cair e só parou quando foi de encontro à parede. A batida foi tão forte que os porta-retratos que estavam pendurados ali caíram na cabeça dos dois que ainda não tinham se largado por causa do susto. Logo após a queda a porta é aberta em um estrondo e por ela surge Remo Lupin com a varinha erguida assim como Lily que aparece no topo da escada.

- Lily como você permite essa indecência na sua própria casa? – Remo perguntou apontando para os amigos que estavam quase colados.

- Lily, meu amor – falou James se soltando de Sirius – não é nada disso que você está pensando.



E pode ter certeza

Estaremos ao teu lado pra te dar uma força

Ajudar a caminhar, a suportar e superar

E novamente, logo, em breve quem sabe um sorriso dar.



- Acabei de colocar o Harry pra dormir – falou Lily entrando na sala onde estavam os três marotos – espero que vocês não façam mais toda essa baderna. Eu juro que se ele acordar alguém morre.

Os três rapazes trocaram olhares assustados e permaneceram em silêncio.

- Melhor assim.

Lily pegou a bolsa de água quente que seu marido segurava na cabeça onde fora tingido por um porta-retrato.

- Ai – reclamou James.

- Deixa de ser crianção, não tá tão mal assim – a ruiva falou verificando.

- Não tá porque não foi com você.

Lily riu e deu um beijo todo carinhoso no local machucado, depois colocou a bolsa novamente e ficou segurando enquanto James a abraçava pela cintura. Sirius, que também segurava uma dessas na cabeça, olhou a cena sentindo uma pitada de inveja por ter que se “cuidar” sozinho, seu olhar rodou a sala e foi parar em Remo que não parecia muito atento a isso. De repente ele notou o olhar do amigo em si, os dois olharam para o casal a frente e se olharam de novo.

- Eeeeee sai fora – disseram ao mesmo tempo se afastando.

James e Lily os olharam intrigados.

- Afinal – começou Remo – o que os dois malucos estavam fazendo?

- Eu tava pegando o Jay não viu?! - Respondeu Sirius.

- Cara, você anda muito estranho – falou Remo.

- O James não é louco de me trair na nossa própria casa – Lily falou indignada – Eu pedi pra ele levarem o sofá pro segundo andar, mas acho que não foi uma boa idéia.

- Ela ainda acha – resmungou Sirius.

- Ah – Remo exclamou simplesmente.

Os outros dois rapazes os olharam esperando pela grande pergunta que não veio.

- Então – falou James.

- Então o que? – questionou Remo.

- Não vai perguntar por que a gente não usou magia?

- Ah, não. Dumbledore não deve ter terminado de proteger a casa e pedido que vocês não usassem.

¬¬’

- Mas parece que os bam bam bans aqui não conseguem se virar sem magia – reclamou Lily.

- É claro que a gente consegue – falou James se levantando.

- É isso aí – falou Sirius – a gente a é foda e vamos provar e o Remo também, não é Remo?

- É claro – falou Remo empolgado, mas depois parou pra pensar um pouco – quer dizer... eu.... er, é é n...

- Você vai mesmo ajudar Reminho? – Lily perguntou com uma voz doce e um olhar todo angelical que ninguém resistia.

- Hum, é claro Lil.



Sabe velho

São momentos infelizes como este

Que precisamos ter amigos como estes

A dor, eu sei, é grande e o vazio é enorme

Mas faz parte dessa vida

E não tem nada a ver com sorte



Remo e Sirius desciam a escada de costas segurando a estante enquanto James segurava do outro lado sem utilizar esforço algum na descida.

- Porque a gente tem que ficar aqui? – Sirius perguntou com dificuldade.

- Porque vocês chegaram depois, eu que tava me ferrando até agora.

- Você tá é se aproveitando – reclamou Remo.

- É bom vocês pararem de reclamar e prestar atenção. Lily adora essa estante, se acontecer qualquer coisa com ela nós somos homens mortos.

Não demorou muito pra que, depois do que James disse, Sirius tropeçasse em um brinquedo de Harry que estava no chão e caísse pra trás, deixando Remo segurando a enorme estante sozinho. Quando tentou se levantar bateu com a cabeça no móvel e, mais uma vez, foi ao chão resmungando de dor.

- Almofadinhas, levanta logo, eu não vou agüentar segurar isso sozinho.

- Droga – Sirius reclamou – eu torci o pé.

- Então se arrasta pro lado.

- Por quê?

- PORQUE A ESTANTE VAI CAIR.

No mesmo instante Sirius se jogou da escada e girou para o lado. A estante veio logo depois se desmontando inteira. Remo e James sentaram nos degraus tentando recuperar o fôlego. Os três olharam para a estante, ou melhor, para os destroços indefiníveis em que esta se transformara, na cabeça de cada um se formulou uma forma rápida de morrer antes que Lily os pegasse, pois quando isso acontecesse com certeza seria doloroso.

- Meninos que barulho foi esse? – eles ouviram a voz da ruiva vindo do quarto de Harry.

Quando Lily chegou à escada observou o que um dia fora sua linda estante. Ela desceu em silêncio até o local do “homicídio” depois se virou para os três com um olhar assassino.

- O-que-vocês-fizeram-com-a-minha-estante?

- Amor. Minha ruivinha linda e maravilhosa. Minha coisinha cuti cuti – James falava com um sorriso trêmulo – foi um pequeno acidente.

- Pequeno acidente? Pequeno acidente? PEQUENO ACIDENTE SENHOR POTTER. ISSO FOI UM... UM... EU NÃO SEI O QUE ISSO FOI, MAS FOI MUITO PIOR QUE UM ACIDENTE. EM PRIMEIRO LUGAR O QUE VOCÊS ESTAVAM FAZENDO COM A MINHA ESTANTE? QUEM MANDOU MEXEREM NELA?

- Você Lily – Sirius respondeu incerto, achando que a amiga podia estar com Mal de Alzheimer ou coisa do tipo.

- É – concordou Remo – você pediu pra colocarmos a estante do segundo andar aqui embaixo.

- EU NÃO TAVA FALANDO DESSA ESTANTE. EU FALEI PRA VOCÊS PEGAREM A ESTANTE QUE DUMBLEDORE ME DEU DE PRESENTE, ELA ESTÁ NA CAIXA VOCÊS TEM QUE MONTAR SEUS TROGLODITAS.

Pronto, agora eles tinham certeza: iriam todos morrer, e de forma bem lenta e trágica. Lily ficava cada vez mais vermelha, talvez explodisse antes de matá-los pensou Sirius, mas, antes que ela pudesse se decidir de como esconderia as provas do crime o choro de Harry soou lá de cima.

- ESTÃO VENDO AINDA ACORDARAM O BEBÊ.

Lily subiu toda irritada entrando no quarto do filho e batendo a porta com força.

- A gente acordou? – perguntou Sirius.

- Obrigado filhinho papai te ama.

- E MONTEM LOGO A PORCARIA DA ESTANTE – Lily gritou novamente no que eles se levantaram num pulo, Sirius com mais dificuldade, e foram atrás da outra estante.



E pode ter certeza

Estaremos do teu lado pra te dar uma força

Ajudar a caminhar, a suportar e superar

E novamente, logo, em breve, quem sabe um sorriso pode



Remo virava e revirava o manual que dizia que ajudaria a montar uma estante, mas, por mais que tentasse decifrar aquilo, não entendia nada do que dizia ali. James e Sirius olhavam para as peças da mesma tentavam encontrar encaixe para elas na louca, mas estavam tendo tanto sucesso quanto Remo.

- Cara, será que você pode dar uma dica? – perguntou Sirius tentando encaixar um parafuso em um canto qualquer.

- Eu to tentando, mas isso aqui é sereiês pra mim.

James levantou nervoso e pegou o manual da mão do amigo.

- Dá isso aqui, você não entende nada.

- Vai lá sabidão. Quero ver se sair melhor – respondeu Remo irritado.

Parece óbvio que James obteve tanto sucesso quanto o outro. Virou o papel de ponta cabeça de lado, colocou contra a luz tentando descobrir algum código secreto e... Nada. Depois dele foi a vez de Sirius que desistiu muito mais rápido que os outros dois.

- Quer saber – Sirius falou jogando o manual no chão – vai ser com a cara e a coragem.

E assim foi. Três amigos totalmente desastrados e acostumados a usar magia para tudo a vida inteira, tentando montar uma estante de maneira trouxa. James derrubou uma tábua na cabeça de Remo que furou o dedo de Sirius com um parafuso que revidou quebrando a porta de vidro na cabeça deste. James conseguiu até mesmo martelar os dedos da mão em que segurava o martelo de modo que nem ele soube explicar como. E por aí foi, arranhões, tombos, marteladas. Depois de uma hora não tinham conseguido nem montar a base da maldita estante. Sirius decidiu empurrar o sofá de dois lugares para abrir espaço e foi quando encontrou uma carta jogada ali. Sem nem mostrar para James já foi a abrindo.

- Eu não acredito – falou se mordendo de raiva depois de ler a carta.

- Que foi? – perguntaram os outros dois.

- Pontas seu retardado, você já leu essa carta?

- Ei, olha como fala. E quem te deu o direito de ler minha correspondência? Isso é crime sabia?

- Essa é uma carta de Dumbledore. Dizendo que a casa já está totalmente protegida, e que você e Lily poderiam ter suas vidas de bruxo normalmente.

- Tá brincando né? – perguntou Remo se jogando no chão.

- Eu lembro o dia em que a coruja trouxe essa carta – James falou pensativo.

- E por que você não leu? Aliás, como ela foi para embaixo do sofá?

De repente James ficou vermelho, mas depois sorriu ao lembrar mais claramente do dia em que a carta chegou e ele e Lily estavam ocupados demais naquele chão para dar atenção a qualquer coisa em volta.

- É que tava meio...

- Meu Merlin – disse Sirius colocando as mãos nos ouvidos – é melhor não terminar. Eu não quero ouvir, eu não quero ouvir.

- Eu também, eu também não – Remo falou o imitando.

James sorriu malicioso.

Depois de muitos palavrões de indignação os três colocaram suas varinhas para trabalhar, arrumaram tudo o que tinha destruído, inclusive eles mesmos. Depois da casa impecavelmente limpa se jogaram no chão, aliviados.



Estaremos ao teu lado pra te dar uma força

Ajudar a caminhar, a suportar e superar

E novamente, logo, em breve quem sabe um sorriso dar



- Como andam as coisas lá fora? – James perguntou se sentando em uma cadeira.

Depois de quase morrerem a pedido de Lily os três marotos estavam descansando e colocando a conversa em dia enquanto tomavam cervejas amanteigadas na cozinha.

- Cada vez piores – respondeu Remo – pessoas morrendo misteriosamente, bruxos e trouxas não importa o sangue. O ministério está tendo dificuldades pra disfarçar a morte de trouxas já que a maldição não deixa rastros, pelo menos para eles.

- Fiquei sabendo que mais uma família foi morta semana passada.

Ninguém respondeu ao comentário de James. Remo apenas olhou para Sirius que abaixou a cabeça, visivelmente incomodado, depois se levantou e caminhou até a janela e permaneceu calado olhando para o nada. Raramente eles o viam assim, mesmo em meio a uma batalha Sirius era sempre animado, sarcástico, gostava de irritar seus oponentes com palavras e se vangloriar e, no entanto, ali estava ele tristonho sem seu constante no olhar.

- Os McKinnon – constatou James e Remo afirmou com a cabeça.

 - A família toda – disse Remo se encostando ao balcão perto de Sirius.

- Sinto muito – James disse para Sirius, mas sem coragem de olhá-lo, se sentia tão incapaz, às vezes sentia raiva de si mesmo por estar ali trancado, sendo um peso para os outros por ter de ser protegido por eles. – Queria estar lá fora, lutando como vocês. Sinto-me um inútil trancado aqui.

Remo notou os olhos de Sirius se encherem de lágrimas, o que de certo modo isso o impressionou, logo ele, Sirius Black, que sempre se mostra tão forte e inabalável chorando na frente dos outros.

- É pela sua família – Sirius falou finalmente sendo vencido pelas lágrimas – pelo Harry e pela Lily. Você está tendo a oportunidade de proteger as pessoas que mais ama James... Eu não tive essa oportunidade. Nem pude ter minha família.

O silêncio se aconchegou no cômodo após tais palavras. Remo não disse nada, mas dentro dele a mesma lamentação reinava. James tinha uma família, um filho incrível, uma esposa linda e companheira, mas ele não tinha ninguém. Talvez tivesse um lado bom, afinal, estavam em meio a uma guerra e seria um problema a mais com que se preocupar, a proteção deles, mas também seria uma grande alegria ter alguém com quem compartilhar o que sentia, lhe acalmar seu coração tão angustiado com tanta tragédia. Além do mais o que Remo Lupin deixaria aqui na Terra após sua morte? Será que as pessoas o lembrariam? Era isso? Seria uma mera lembrança?

- Você tem uma família – falou James – Os dois. Família acima de tudo é aqueles que te amam, que fariam de tudo pra lhes proteger, o sangue não é tudo, não é isso que lutamos para provar pra esse bando de ignorantes?! Vocês são mais que amigos pra mim, são minha família. Eu sei que não estou num momento favorável pra dizer isso, mas eu vou estar com vocês até o fim. O fim da guerra, o fim de Voldemort ou o meu fim... Não importa. Vocês fazem parte da minha família.

O silêncio surgiu mais uma vez, mas agora não era triste ou melancólico, era algo muito mais intenso que deu lugar a esperança de que eles ainda tinham chance de um dia salvar aqueles que tanto amavam, o preço não importava.

- Olha só pra nós – falou Sirius rindo – Os Marotos tão confiantes de si mesmos agora estão com medinho.

Remo e James começaram a rir.

Um bebê de olhos verdes idênticos ao de Lily entrou engatinhando na cozinha e se dirigiu ao seu pai que o pegou no colo.

- Ai filhão. Olha quem tá aqui – James falou apontando para os amigos – tio Aluado e o padrinho Almofadinhas.

- Dinho – falou Harry esticando os bracinhos para Sirius que correu pegar o menino todo contende e o jogou para cima fazendo o garoto rir.

- Que saudade do meu afilhado.

James olhava para Harry com tamanha devoção que seus olhos chegavam a brilhar quando encontram o menino.

- Me prometam uma coisa? – pediu James recebendo atenção dos amigos – se... Se alguma coisa acontecer comigo vocês cuidarão deles pra mim?

Remo e Sirius se entreolharam sentindo um arrepio lhes subir pela espinha, mas logo sorriram.

- Vai ficar tudo bem com Harry, James – Remo falou tranqüilizador.

- Ele é um garotão forte não é mesmo Harry? – falou Sirius colocando o afilhado no chão.

Assim que o menino se retirou eles ouviram a voz de Lily.

- Rapazes eu estava olhando o quarto do Harry e pensa... – quando Lily chegou a cozinha ela estava vazia, sem nem sinal de algum deles – estranho. Jurava que tinha ouvido as vozes deles aqui – falou consigo mesmo se retirando.

Remo soltou o ar aliviado atrás do balcão e olhou para Sirius escondido atrás do fogão, depois de se cruzarem o olhar dos dois foi para o armário perto da pia que se abriu revelando James. Os três se encararam e deitaram no chão rindo sem motivo aparente, simplesmente pela alegria de estarem juntos e saber que sempre poderiam contar um com o outro independente do resto do mundo.



Talvez eu não entenda hoje porque tudo tem que ser assim

Exatamente assim

O ganho de alguém, a perda de alguém

Dívida, dor, sofrimento além

Toda essa angústia sirva para crescer e fortalecer.


Fic por Jéssica de Paula
inspirada na música Momentos Como Este da Banda Pimentas do Reino